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PAPA EXPLICA
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O Papa Bento XVI falou sobre a figura do italiano São Roberto Bellarmino, cardeal, jesuíta e doutor da Igreja - que viveu no século XVI, época da Reforma Protestante -, na Catequese desta quarta-feira, 23.


Foto: Bento XVI durante a Catequese, na Sala Paulo VI. Abaixo, durante a bênção à estátua de São Marun, na Via delle Fondamenta


O Pontífice indicou um dos escritos do santo como regra de ouro para o bom viver e bom morrer:
"No livro De arte bene moriendi – a arte de morrer bem – por exemplo, [Bellarmino] indica como norma segura do bom viver, e também do bom morrer, o meditar frequentemente e seriamente que se deverá prestar contas a Deus das próprias ações e do próprio modo de viver, bem como não buscar acumular riquezas nesta terra, mas viver de modo simples e com caridade, de modo a acumular bens no Céu", afirmou

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.: NA ÍNTEGRA: Catequese de Bento XVI sobre São Roberto Bellarmino

Apesar de Bellarmino ter vivido em plena época da Reforma, sempre evitou todo o enfoque agressivo ou polêmico em suas obras.

"Bellarmino ensina com grande clareza e com exemplo da sua vida que não se pode exercer verdadeira reforma da Igreja se antes não há reforma pessoal e a conversão do nosso coração", disse Bento XVI.

Nos escritos do santo, é salientado o primado dos ensinamentos de Cristo. "São Bellarmino oferece, assim, um modelo de oração, alma de toda a atividade: uma oração que escuta a Palavra do Senhor, que se satisfaz ao contemplar a grandeza, que não se encerra em si mesmo, mas alegra-se no abandonar-se em Deus", acrescentou o Santo Padre.

Por fim, o Bispo de Roma disse:

"Essas, obviamente, não são palavras que saíram de moda, mas palavras a serem meditadas ainda hoje por nós, para orientar o nosso caminhos sobre esta terra. Recordam-nos que o fim da nossa vida é o Senhor, o Deus que se revelou em Jesus Cristo, no qual Ele continua a chamar-nos e a prometer-nos a comunhão com Ele. Recordam-nos a importância de confiar no Senhor, de nos gastarmos em uma vida fiel ao Evangelho, de aceitar e iluminar com a fé e com a oração toda a circunstância e toda a ação da nossa vida, sempre nos esforçando para a união com Ele".


São Bellarmino

Nasceu em 4 de outubro de 1542, em Montepulciano, junto a Siena, e era sobrinho, por parte de mãe, do Papa Marcello II. Teve uma excelente formação humanística antes de entrar na Companhia de Jesus, em 20 de setembro de 1560. Foi ordenado sacerdote em 25 de março de 1570. Os estudos sobre São Tomás e os Padres da Igreja foram fundamentais para sua formação filosófica e teológica.

"Havia sido concluído há pouco o Concílio de Trento e, para a Igreja Católica, era necessário reforçar e confirmar a própria identidade frente à Reforma protestante. A ação de Bellarmino insere-se nesse contexto", explicou Bento XVI.

Em 3 de março de 1599, foi criado cardeal pelo Papa Clemente VIII e, em 18 de março de 1602, foi nomeado Arcebispo de Cápua. Recebeu a ordenação episcopal em 21 de abril do mesmo ano.

Após ter participado nos conclaves que elegeram os Papas Leão XI e Paulo V, foi chamado novamente a Roma, onde foi membro das Congregações do Santo Ofício, do Índice, dos Ritos, dos Bispos e da Propagação da Fé. Teve também encargos diplomáticos, junto à República de Veneza e a Inglaterra, na defesa dos direitos da Sé Apostólica.

"Nos seus últimos anos de vida, compôs vários livros de espiritualidade, nos quais condensou o fruto dos seus exercícios espirituais anuais. Da leitura desses, o povo cristão obtém ainda hoje grande edificação", acrescentou o Pontífice, durante a audiência.

São Bellarmino morreu em Roma, em 17 de setembro de 1621. O Papa Pio XI beatificou-o em 1923, canonizou-o em 1930 e proclamou-o Doutor da Igreja em 1931.


A audiência

O encontro do Bispo de Roma com os fiéis reunidos na Sala Paulo VI aconteceu às 7h30 (horário de Brasília - 10h30 em Roma). O Papa continua uma breve série de encontros para completar a apresentação dos Doutores da Igreja, no contexto de Catequeses dedicadas aos padres da Igreja e grandes figuras de teólogos e mulheres da Idade média.

Bento XVI abençoou uma estátua de São Marun, na Via delle Fondamenta, antes de iniciar a audiência. A estátua foi colocada no exterior da Basílica de São Pedro. Participaram da cerimônia o Patriarca de Antioquia dos Maronitas, Cardeal Nasrallah Pierre Sfeir; o presidente do Líbano, Michel Suleiman, e um grupo de ministros libaneses de todas as confissões. Também esteve presente o escultor espanhol Marco Augusto Dueñas, autor da obra esculpida em um bloco de mármore de Carrara.

Na saudação aos fiéis de língua portuguesa, o Papa salientou:

"Amados peregrinos de língua portuguesa, a todos saúdo cordialmente, desejando que este nosso encontro dê frutos de renovação interior, que consolidem a concórdia nas famílias e comunidades cristãs, a bem da justiça e da paz no mundo. Como penhor de graça e paz divina, para vós e vossos queridos, de bom grado vos concedo a Bênção Apostólica".


Fonte: Rádio Vaticano / CNN Notícias

 
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