Paróquia Nossa Senhora das Graças
 
 ARTIGOS
Ver todos
 DESTAQUES
 
 
FOTOS EM DESTAQUE
Ver todas
 
 CADASTRE-SE
Cadastre seu e-mail para receber atualizações do nosso site:
 
 
 
MISSA EM SUFRÁGIO DA ALMA DO PE. AILTON C. TIEPPO EM LINDÓIA
Imagem
No dia 05 de julho às 15h00 teve lugar na Paróquia de n. Senhora das Brotas em Lindóia a misssa em sufrágio da alma do Pe. Ailton Cavichiolli Tieppo. A missa foi presidida por Dom Pedro Carlos Cipolini, Bispo Diocesano de Amparo e mais 16 padres da Diocese, foi celebrada na Capela de Nossa Senhora de Lourdes, no Bairro dos Costas, local onde o Pe. Ailton morreu por suicídio, exatamente na frente da capela.

Padre Ailton pertencente ao clero diocesano de Amparo, pediu a suspensão de ordens para morar com uma companheira o que acontecia desde o meio do ano passado.

A missa contou com a participação de muitos fiéis da paróquia Nossa Senhora das Brotas de Lindóia, onde ele foi pároco por três anos.

*Texto da homilia do Bispo Diocesano D. Pedro Durante a missa
Lindóia 05.07.2011

Estamos nós aqui reunidos refletindo na tragédia que nos abateu. A mais dura e terrível: o suicídio de um padre, um padre de nosso presbitério que estava suspenso de ordens fazendo sua experiência fora do ministério com outra pessoa. Do ponto de vista subjetivo, da pessoa que comete o suicídio, devemos ter cautela na hora de julgar mesmo tendo a moral cristã, sempre dado uma resposta negativa e absoluta quanto à maldade do ato suicida. Não é uma atitude ética razoável, mas não merece uma condenação absoluta, pois, o abismo da miséria humana e da misericórdia divina são insondáveis. A vida é dom divino e doação de Deus, suicidar-se é invadir os direitos de Deus. É no mínimo um ato de loucura, o qual finca suas raízes numa queda diante da tentação do desespero, este, filho da angústia existencial gerada pela crise de fé. Estamos aqui neste momento para, como presbitério, fazermos nosso luto já que uma das obras de misericórdia é enterrar os mortos, o luto é uma forma de enterrar.

Pe. Ailton, menino vindo do Paraná para Campinas, defrontou-se com a possibilidade de se tornar sacerdote e entrou no seminário. Ordenou-se sem tanta dificuldade, incardinou-se em nossa Diocese. Trabalhou em várias paróquias. Sempre calmo, quieto e... distante... Deixou o ministério em junho do ano passado para se unir a uma mulher casada. Ao chegar aqui, como Bispo de Amparo, ele conversou comigo pedindo sua suspensão do ministério, o que foi feito em dezembro passado. Sua situação o levou à trágica morte como sabemos, aqui neste lugar, diante da igreja em que celebramos esta missa.

Este fato nos coloca algumas perguntas sobre o nosso processo formativo no seminário. Podemos ter bons reitores, bons professores, podemos fazer bons estudos sem que por isso nos questionemos ou questionemos nossa vida seriamente. Principalmente devemos nos perguntar sobre o tipo de presbitério que desejamos. Se desejamos um presbitério sem compromisso pessoal de uns com os outros, não existirá presbitério, mas um grupo de funcionários religiosos. Mas se desejamos um presbitério onde cada um é co-responsável pelo outro, a partir do sacramento da ordem recebido, teremos de ouvir sempre a pergunta do Senhor que chamou cada um de nós: Onde está seu irmão? Quando um padre adoece, o presbitério adoece com ele, quando sofre, o presbitério sofre com ele, quando se suicida, o presbitério se suicida um pouco com ele também. Será que nosso caminho como presbitério, a continuar como estava, não se encaminhava para a dissolução? “Se vos mordeis e devorais, vede que não acabeis por destruirdes uns aos outros” (Gl 5,15) . A advertência do apóstolo Paulo é sempre válida.

A exemplo de Jesus que tem pena do povo abatido e cansado, que anda errante como ovelhas sem pastor e prega o Reino de Deus, a Igreja hoje tem necessidade de operários maduros, decidido pelo Reino, pois a messe é grande os operários poucos, poucos os que realmente estão dispostos a dar toda a vida pelo Reino e não só um pouco da vida...

Nascemos em meio à dor e morremos do mesmo modo. E entre estes dois extremos há uma trajetória de sofrimento. Sonhamos com um mundo sem sofrimento, mas a doença e a morte estão nas entranhas de nossa carne. Nós buscamos todos os dias um sentido para o sofrimento e sua redução. A dor e o sofrimento são realidades tão duras que é impossível resisti-los sem a mística que nos mergulha no mistério do ser e da existência. Neste sentido a religião, ou melhor, a fé nos ilumina e da força. Diante do escândalo do sofrimento humano, de sua contradição e amargura, nós cristãos temos uma grande luz que se acende no fim do túnel: o mistério pascal, morte e ressurreição!

Quantas lágrimas esta morte fez derramar. Para mim que fui seu professor no curso de teologia e seu bispo por alguns meses, é uma grande dor. Foi um filho, um cordeirinho (ele era gentil, um menino por dentro) que não consegui arrebatar das garras do lobo. E me sinto amargurado. À mulher envolvida que foi pivô desta tragédia, e que também é ovelha do meu rebanho, digo como o apóstolo Paulo: “seja entregue a Satanás para a morte na carne, a fim de que sua alma seja salva no dia do Senhor Jesus Cristo”(1Cor 5, 5).

Diante de tudo isto, somos convidados a revisitar nossa pia batismal, queridos padres. Debruçados sobre ela possamos renovar nosso compromisso de morrermos com Cristo para o pecado, o egoísmo e, renascermos para a vida nova do amor. É na pia batismal que recebemos o dom da fé. Esta fé que nos faz vencer o mundo cada dia, se for cultivada pela escuta da Palavra, da oração e da prática constante da caridade de uns para com os outros. Muitas vezes esta fé batismal é descuidada e acaba por não nos sustentar. Esta fé muitas vezes está dividida despedaçada, sem compromisso. Tudo fica dividido, separado, atomizado dentro de nós e nós ficamos fracos. A fé deve unificar-nos por dentro, fazendo-nos capazes de vencer pela graça, os desafios, as misérias e a tristeza. A fé unificada dentro de nós, conduz a Deus todo nosso espírito, psicologia e corpo. E assim seremos fortes porque a fé é a vitória que vence o mundo e o príncipe deste mundo, o Maligno que gira ao redor de nós procurando a quem devorar (1 Jo 5,4; Jo 16,11; 1pr 5,8). A fé cultivada nos faz irradiar em torno a nós , com os atos simples da vida cotidiana, a alegria interior e a paz, frutos da consolação do Espírito Santo.

Meus amados padres cada um deve se dedicar a trabalhar em torno de seu abismo, abismo se refere a parte afetiva de cada um. Você jamais conseguirá preencher este abismo porque suas demandas e carências são inesgotáveis. Você terá de trabalhar em torno dele, de modo que aos poucos ele se feche. Deixe de ser alguém que sempre quer agradar!. Como alguém independente, busque sua identidade própria. Enfim, volte sempre ao lugar seguro que é o lugar da promessa de amor. Às vezes nos submergimos em fantasias, distrações, à vontade de ceder às paixões, mas sabemos que no mundo das paixões não estão as respostas que nosso eu mais profundo faz. Nem a resposta está em sentir culpa e lastimar. É preciso aprender a esconjurar nossos demônios interiores, nossas sombras, ser livres interiormente. Se não fizermos isto, os demônios eles nos jogarão no pantanal da alma e ali pereceremos.

Confie no local seguro que é a certeza do amor de Deus por você, do chamado que Ele te fez: “tu me amas, apascenta meu rebanho”. O lugar seguro para onde se deve voltar mesmo após cada fracasso é a certeza do amor de Deus por você, mesmo que não o esteja sentindo no momento. Esta é a luta constante com Deus, a luta de Jacó: Lutar para acreditar no amor de Deus por nós.

Que Deus nos ajude, abençoe e liberte, e nos faça crescer como presbitério. Que nosso irmão Pe. Ailton descanse em paz. Nós o confiamos neste momento ao abismo da misericórdia de Deus manifestado no Coração de Jesus Cristo, do qual ele e nós todos fomos feitos ministros pelo sacramento da ordem. Em silêncio reflitamos um pouco. Amém.

+D. Pedro Carlos Cipolini
Bispo Diocesano de Amparo


.
 
Voltar
Imprimir
Comentar
Página Principal
Divulgação:
 
 ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Ver todas
 
DESTAQUES
 
 
VÍDEO EM DESTAQUE
Ver todos
 
PESQUISAR NO SITE
Digite a palavra ou frase de seu interesse:
 
 
Paróquia Nossa Senhora das Graças - Fone: (19) 3824-1156 - Rua Rio de Janeiro, 70 Centro - Águas de Lindóia (SP)