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A POSIÇÃO DA IGREJA FRENTE À FIGURA DA MULHER
A POSIÇÃO DA IGREJA FRENTE À FIGURA DA MULHER
Café Filosófico – Amparo 23.08.2011
D. Pedro Carlos Cipolini – Bispo de Amparo

1. Introdução
1 O papa João XXIII em sua encíclica Pacem in Terris (1963) n. 41, proclamou que “o movimento para a promoção da mulher constitui um dos sinais dos novos tempos”. Portanto, se justifica abordar o tema da posição da Igreja frente á figura da mulher. O papa João Paulo II abordou o tema em um documento Mulierem dignitatis e noutro Redemptoris Mater, tratando este último, de Maria a mãe de Jesus. As mulheres adquiriram hoje uma visibilidade que nunca tinham possuído na história da Igreja, embora ainda longe da visibilidade que conquistaram no plano político e social. A ONU declarou 1975 o ano internacional da mulher.
2 Ao abordarmos a questão da mulher é necessário prestar atenção sobre a diferença que envolve o ser homem ou mulher. Na nossa língua “homem” designa o ser humano em geral. Por isso é mais correto falar de pessoa humana de gênero feminino e pessoa humana de gênero masculino. Algo que afeta todo o ser, fazendo com que a pessoa viva a vida a partir de uma situação diferente e com atitudes próprias. No entanto é difícil precisar os aspectos distintivos do homem e da mulher quando examinamos a vivência espiritual da masculinidade e da feminilidade. Do ponto de vista fisiológico a diferença é clara, sendo que a função maternal de gestação e parto é exclusiva da mulher. Há também um dado cultural: algumas atitudes espirituais são masculinas em uma cultura, e femininas na outra. Simone de Beauvoir disse: “Não se nasce mulher, torna-se mulher”! Porém, há um dado inegável que marca a diferença entre o homem e a mulher: a ação masculina é transformadora, operadora e a feminina é concepcionista, conformadora. Tanto que o sofrimento do homem é o de correr risco e o da mulher é o da paciência. Nisto são diferentes e complementares.
3 Outro dado importante é o dado cultural. A determinação da identidade feminina e masculina, só é possível mediante as dinâmicas de auto-reconhecimento mediadas pela cultura, na sua recepção social. A cultura até hoje, foi mais feita pelo homem que pela mulher, no sentido em que foram os homens que distribuíram as tarefas para cada sexo. Balzac, escritor Frances resume o pensamento masculino a respeito da mulher: “A mulher é uma escrava que devemos colocar em um trono”. É todo um processo social e cultural no qual a Igreja tem sido parte ativa, que sofre influências e que também influi. A Igreja não está fora mas dentro da história.



2. Jesus e a mulher
1 Para se compreender a realidade do feminino é preciso ter pressente que se trata de uma realidade essencial do humano. A Bíblia já mostrava que Deus criou homem e mulher (Gn 1,27 – 31), a humanidade não pode existir sem a complementariedade do masculino e do feminino.
2 A Bíblia concebe a mulher desde as origens como mãe e esposa. Eva representa a vida: mãe de todos os viventes (Gn 3,20), assim a mulher é vista como um “ser para os outros” (em contraste com a reivindicação hodierna de “ser para si”). A mulher vivia em situação de paternalismo e tutela neste tempo de predomínio do patriarcado.
3 Isto prevalece até o Novo Testamento quando a figura de Maria, a mãe de Jesus é a figura emblemática da mãe por excelência. A tarefa de Maria foi cooperar com Jesus na criação de um novo mundo, mais humano e fraterno. Esta também é a tarefa da mulher que percebemos na Escritura.
4 O supremo ideal do humano a partir de Deus se projetava no masculino. Somente depois é que se passou a atribuir a Deus, traços do feminino como ternura e compaixão e até comparação de Deus à mãe (Is 66,10-14; Os 11,1). Jesus na parábola do Filho pródigo ou Pai misericordioso apresenta o Pai com traços de mãe (Lc 15,11ss). No plano simbólico dos nossos conceitos, o masculino e o feminino devem estar presentes em Deus.
5 Consideremos que todos os que se posicionaram contra a mulher, de dois mil anos para cá, se apoiaram em muitos livros de várias religiões , no Antigo testamento e até mesmo nos escritos dos Santos Padres (Patrística), mas ninguém se baseou nos Evangelhos ou no que disse e fez Jesus. Nada encontramos em Jesus contrário à mulher Ele foi o melhor defensor dos direitos da mulher (cf. João Paulo II in Carta Apostólica Dignidade da mulher n. 13 citado por Pe. Dr. Emile Eddé in Jesus, libertador da mulher).
6 A atitude de Jesus com as mulheres no que se refere ao diálogo e aos milagres pintam um quadro maravilhoso de claridade e amor estas atitudes sinalizam a atitude eterna de Deus que criou o homem e a mulher á sua imagem e semelhança. A aparição de JESUS RESSUSCITADO A Maria madalena antes de aparecer aos apóstolos é significativa e demonstra que Ele favoreceu muito as mulheres dando-lhes um papel importante na missão evangelizadora (Jo 20,16-18). A Lei judaica recusava o testemunho das mulheres, Jesus porém desafiou a lei e ultrapassou a situação sócio cultural de seu tempo encarregando uma mulher de conseguir a fé dos apóstolos na ressurreição.
7 Jesus porém chegou a um certo ponto que ele não ultrapassou: não convidou mulheres para compor o grupo dos doze apóstolos e nem dos 72 discípulos (Lc 10, 1-23). Na última ceia celebra com os doze apesar de a celebração ser para família e a Eucaristia instituída e para ser distribuída a todos mas Jesus quer que a autoridade e poder de refazer seu gesto em sua memória fosse reservada aos homens. Jesus não ultrapassou o umbral que ergueria a mulher ao sacerdócio ministerial e nem a sua Igreja pode fazê-lo, assim entende a própria Igreja. Jesus deu somente aos apóstolos o poder de perdoar pecados (Jo 20, 22-23), etc estamos diante de uma atitude constante de cristo que demonstra uma vontade definitiva: “Se Cristo – por escolha livre e soberana bem testemunhada no evangelho e na constante tradição eclesial – confiou somente aos homens a tarefa de serem ícones de sua imagem de pastor e esposo da igreja através do exercício do sacerdócio ministerial, isso em nada diminui o papel da mulher, como afinal sucede com os outros membros da igreja não investidos do sagrado ministério, já que todos são igualmente dotados da dignidade própria do sacerdócio comum, radicado no batismo” (João Paulo II in Dignidade da Mulher n. 21).
8 A atribuição do sacerdócio ministerial exclusivamente aos homens não pode ser interpretada como sinal de inferioridade. Toda missão a serviço do reino de Deus conferida por Jesus, mesmo comportando autoridade, não significa superioridade; O maior é o que serve ( Mt 20, 25-28; mc 10, 42-45). Confiando a Maria Madalena a missão de anunciar a ressurreição aos apóstolos, demonstra que Jesus mesmo confiando a autoridade pastoral aos apóstolos, reserva à mulher um papel de primeiro plano na difusão do Evangelho.

3. Movimento feminista
1É necessário notar que o movimento pela libertação da mulher inserido no grande movimento de libertação dos oprimidos que marcou o século XX, se moveu com mais agilidade nos países de tradição cristã, observava João XXIII na Pacem in Terris ( cf. n. 41)
2 durante séculos se acreditou que toda a contribuição da mulher para com a sociedade seria a de ser esposa e mãe, a rainha do lar tendo o espaço doméstico como seu reinado. A mulher sempre foi vista como inferior ao homem e esta atitude antifeministas foram interiorizadas pelas próprias mulheres que a reproduziam no processo educacional confiado a elas.
3 Em 1789 durante a revolução Francesa, Olimpia de Gouges proclamou a “Declaração dos direitos da mulher e cidadã”, mas somente em 1830-1840 surgiram movimentos feministas na Inglaterra e EUA. No movimento feminista atual existem duas tendências: a) feminismo radical para o qual o sistema opressor não é o capitalismo ou o racismo, mas o patriarcalismo. b) feminismo socialista, que não vê no homem o principal beneficiário do trabalho feminino mas sim o sistema capitalista é o verdadeiro explorador da mulher. No século XIX a entrada das mulheres no mercado de trabalho após a revolução industrial e a crescente escolarização determinaram nas mulheres a busca de uma outra presença e outro protagonismo.
4.Dois enfoques: o problema do gênero: A) Durkheim afirma que o homem é produto da sociedade influenciados pelo coletivo, e a mulher produto da natureza influenciados por seu organismo. A identgidade das mulheres é moldada pelo seu envolvimento na reprodução e criação dos filhos. A mulher tem influência enquanto geram e criam os filhos enquanto os homens tem papel ativo na esfera pública: política trabalho e guerra. B) Para Marx as diferenças de gênero refletem as divisões de classes. O poder dos homens sobre as mulheres se deu somente à medida em que apareceram as divisões de classes: a mulher passou a ser uma forma de propriedade privada do homem por meio da instituição do matrimônio. As mulheres se libertarão quando a divisão de classe for superada. Para Butler, o gênero não é uma categoria fixa, mas variável, revelada naquilo que as pessoas fazem, e não no que elas são...!!!
5. Certos movimentos feministas tendem a fazer do masculino um modelo para a mulher. Porém lutar contra a discriminação não significa negar as diferenças. É equivocada a posição feminista de suplantar o homem, para tomar seu lugar. Isto não seria masculinizar a mulher? Em todas as suas atividades a mulher deve ser mulher.
6 O século XXI será feminino e o bem estar das mulheres surgirá como fator-chave do progresso social. Elas estão mais aptas a comandar a educação, a proteção social e a partilha da água. A educação das meninas trará um impacto muito maior que a dos meninos
4. A posição da Igreja
1 Ao falarmos de Igreja e mulher algo que nos passa despercebido mas é necessário notar, é a afinidade entre a Igreja e a mulher, a Igreja é representada com semblante feminino. São Paulo vai falar do matrimônio entre Cristo e sua Igreja: “Maridos amai vossas esposas como Cristo amou a Igreja” (Gl 5,24ss). Esta imagem é sugestiva e honra a mulher.
2 Perguntamos frequentemente: quais as funções assumidas pela mulher na Igreja ao longo do tempo e qual a posição da Igreja em relação ao sacerdócio feminino? Desde o início as mulheres se destacaram na Igreja exercendo várias funções conforme atestam as cartas pastorais: virgens e viúvas e mulheres consagradas às obras de caridade. Existiam as diaconisas que exerciam funções litúrgicas como nos batismos embora não o administrassem. Segundo as Constituições Apostólicas (sec IV) elas eram consagradas e pertenciam ao clero. Existiam as profetizas (1Cor 11,5-16), carisma este que sempre esteve presente com destaques importantes: Catarina de Sena, Teresa de Jesus (doutoras da Igreja). Na idade média existiam as abadessas. Os ministérios da oração e da educação das crianças. A vida religiosa na sua grande diversidade que é de ordem carismática e não sacramental como o sacerdócio mas teve e tem grande influência.
3 Sacerdócio feminino
No início da Igreja, a ordenação de mulheres se verificou em algumas seitas pagãs pseudo-cristãs e encontraram muita oposição tanto que não vingaram. E assim formou-se uma tradição já dura dois milênios ao menos na Igreja Católica e Ortodoxa que são os dois ramos mais genuínos do Cristianismo remontando a suas origens. O motivo fundamental invocado contra o acesso da mulher ao sacerdócio se encontra no desígnio divino manifestado na Revelação. A questão, portanto, não se refere a um motivo antropológico referente a qualidades ou defeitos da mulher mas existe um motivo teológico: a vontade de Deus e o comportamento de Cristo. São Paulo afirma a igualdade do homem e da mulher em Cristo. As diferenças de gênero não implicam para Paulo inferioridade, todos tem a mesma dignidade. Ele supera o conceito do judaísmo no qual a mulher é inferior ao homem em dignidade. Na carta aos romanos cap. 16 exalta muitas mulheres que exerciam influência na Igreja mas nunca descortina a possibilidade de um ministério hierárquico para a mulher. A Igreja entende que é vontade de cristo que somente os apóstolos os homens que Ele chamou (chamou quem ele quis) é o motivo de se manter esta tradição. E aqui o motivo é funcional; o homem é mais apto ao governo e autoridade pastoral e a indicação do mistério da encarnação no qual o Filho de Deus se fez homem é significativa. O erro é apresentar o sacerdócio como superioridade e dignidade quando Jesus o instituiu como serviço humilde. A Igreja entende que Jesus quer a promoção da mulher em um caminho diferente daquele do sacerdócio ministerial; respeitou a diversidade entre o homem e a mulher favorecendo a sua complementariedade ou seja o homem é complementar à mulher e esta ao homem.(uma complementariedade na igualdade). Em 1977 a Igreja declarou-se a respeito e em 1994 o |Papa João Paulo II reafirmou a proibição da ordenação de mulheres declarando que a Igreja “não tem autoridade para conferir a ordenação às mulheres”( cf. Ordinatio Sacerdotalis). Em 1992 a Igreja anglicana votou a favor do sacerdócio para as mulheres provocando a oposição de muitos grupos inclusive um que se chamava; “Mulheres Contra a ordenação de Mulheres”. Muitos abandonaram a Igreja Anglicana e ingressaram na Católica. Note-se que a reforma protestante também excluiu as mulheres Lutero afirmava que a mulher não deve ensinar o Povo
Conclusão
. Após o Concilio Vaticano II a Igreja Católica se abriu muito à promoção da mulher. Consideremos o acesso da mulher à Teologia acadêmica que produziu uma teologia feminista ou teologia do feminino, reflexão que a longo prazo exigirá uma reelaboração do saber teológico. O acesso das mulheres aos diversos ministérios eclesiais é uma realidade. (Mary Daly, Elisabeth Fiorenza, Salli Mac Fague, etc)
. assinalar à mulher um destino igual ao do homem equivale a introduzir o princípio da superioridade masculina: a mulher deve igualá-lo para ter dignidade. Um não deve copiar o outro nem almejar ser igual a não ser na dignidade o que não implica exercer as mesmas funções.
. A promoção da mulher começa não por equipará-la ao homem mas por desfazer e rejeitar tudo o que deprecia os valores do feminino.
. Deve-se levar em conta o principio da igualdade da dignidade na complementariedade de funções. É preciso superar o androcentrismo para colocar o homem e a mulher em igual dignidade (João Paulo II in Mulieris Dignitatem 1988)



 
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